10.8.07

Escândalos na Argentina e no Brasil: mesmas causas!

Do ex-blog de Cesar Maia:

1. Os dois escândalos seguidos no governo Kirchner na Argentina que afastaram a ministra da fazenda e um assessor especial e muito próximo ao presidente, fazem lembrar os seus similares no Brasil -que chegaram ao ministro da fazenda e assessores especiais e íntimos do presidente. No Brasil os casos foram mais longe porque foram precedidos por minuciosas denuncias de quem estava dentro do poder. Na Argentina, recém se entrou nesse processo.
2. As causas são as mesmas. Os governos mantêm relações hegemônicas com o Congresso, compram o apoio que tem, atropelam a oposição, relacionam-se diretamente com uma opinião publica difusa, inflacionam seus gestos populistas, e constroem uma rede autoritária de poder, aplicando o que Ruy Barbosa no fim da monarquia chamou de "legalidade elástica".
3. Kirchner governa num regime de lei delegada geral, ou seja, fechou de fato o Congresso. Lula governa através de medidas provisórias que cinicamente -e sem justificativas sequer- nada tem a ver com a urgência e relevância que determina a constituição.
4. Ambos minimizaram seus ministérios com gabinetes inexpressivos. Ambos referem-se aos meios de comunicação como problemas, e por declarações e por ações procuram inibir, pressionar e atropelar a liberdade de imprensa.
5. Uma conjuntura econômica internacional favorável, está sendo desperdiçada lá e aqui, e proliferam medidas assistencialistas, aqui com bolsas de todo tipo e lá com subsídios populistas ao transporte, gás de cozinha...
6. Os dois países enfrentam crises de energia elétrica. Na Argentina uma crise aberta -e antecipada por taxas altas médias de crescimento- na casa de 8% ao ano. Aqui postergada por um crescimento econômico acumulado, medíocre.
7. Ambos governam sem partido, com uma base parlamentar inorgânica e clientelística. O empreguismo -direto e indireto- é desenfreado.
8. São estilos -que de todos os lados- são permissivos e franqueiam a máquina pública para o saque despudorado, numa bernarda administrativa lastreada na incompetência e na improvisação, como método.