25.6.08

Desvios dos recursos do PAC

Valcir Martins

Ao contrário do que afirmou o secretário Guatassara, entendo que é possível o desvio de recursos, mesmo em obras financiadas pela Caixa, e no caso do PAC que são a fundo perdido.
O esquema, segundo os entendidos, funciona com o superfaturamento do material de construção. Quantidades menores e de qualidade inferior são colocadas e a diferença vai para os lobistas, que por sua vez repassam aos demais ‘interessados’. Isto, segundo notícias da ‘Operação João de Barro’, estava acontecendo em Minas, onde 50% dos recursos seriam desviados. Sem falar pode se construir 600 e receber por 700 casas , por exemplo.
Se isso vai acontecer em Maringá, não podemos afirmar. A SER e o Observatório Social poderiam fazer um acompanhamento especial como fizeram nos caso dos pentes, papel, e outras miudezas, na Secretaria de Educação, que teriam redundado numa economia de cerca de R$ 9 mil para contribuinte maringaense, e em grande repercussão na imprensa. Quem sabe a Associação dos Engenheiros e o Crea poderiam prestar um serviço, acompanhando e atestado que os recursos foram integralmente utilizados.Pode ser que MPF, CGU e TCU façam o mesmo. Transparência? Que bom se for verdadeiro que os recursos públicos aqui são aplicados com transparência, responsabilidade e sem desvio. Que bom se todo o empenho para obtenção de recursos visasse apenas o interesse dos mais carentes, a melhoria de vida das famílias em situação de miséria! Que bom se não houvesse tanta hipocrisia!Que maravilhoso se as empreiteiras não fossem tão generosas com os governantes repassando-lhes tantos recursos para campanhas, de forma legal e pelo caixa dois, como temos notícias!
Mas estamos falando do Brasil como um todo. Em Maringá pode ser diferente. Aqui, “se Deus quiser”, nada de desvios, nada de corrupção, nada de repasse de recursos para campanhas, nada de dinheiro para lobistas que fizeram os projetos. Se Deus quiser tudo vai ser perfeito, diriam os mais ‘religiosos’.
Da minha parte, fico com um pé atrás. Claro que Deus quer o melhor, mas dá aos políticos (prefeitos, secretários, empreiteiros, lobistas, etc) o livre arbítrio, ou seja, o poder de fazer o certo e o ‘não muito certo’, e é isto que geralmente acontece. Um dia responderão pelos desvios, mas muitos nem se dão conta disso, pois acreditam até na impunidade da Justiça Divina, e que os pecados foram lavados por Cristo há mais de 2000 anos, ou que a simples confissão a um Padre, um Bispo, ou até ao Papa lhes dará o perdão.
Ainda bem que não é bem assim! De qualquer forma façamos uma oração do PAC, sigla que dentre os muitos significados poderia ser: ‘Piedade aos corruptos’. Que eles sejam tocados pelas próprias consciências e se dêem conta dos male que causam.

VALCIR MARTINS, Administrador, Maringá - PR